Sentei de frente a batera que dessa vez estava montada de lado no palco para que as pessoas pudessem ver o Aquiles tocando em um angulo não muito usual. Logo depois da entrega dos Dvd´s, apostila, camisas, brindes e certificado, Aquiles foi apresentado a toda galera que encheu o auditório do EMT. E sentado a frente da batera com um pad de borracha e um par de baqueta foi o suficiente pra saber que a noite seria diferente. Como o próprio Aquiles disse, quem foi pra lá pensando que veria um Workshop de batera se deu mal, pois ali o objetivo seria mais educacional e menos perfomático. Falou também que tudo que ele iria dizer seriam suas opiniões próprias sobre os assuntos e que de forma nenhuma seria uma verdade absoluta.
A primeira pergunta foi sobre a transição da vida numa multinacional para uma vida de músico e já aí Aquiles fez valer o preço do curso: contou da época em que quase desistiu de ser músico, de quando foi demitido de uma banda por não saber usar 2 bumbos rápidos (acreditem!), de quando tinha vários posters dos seus ídolos na parede do quarto, de como ele almejava o sucesso comparando sua vida com a trajetória da carreira do Steve Harris (baixista do Iron Maiden). Contou também que na época da multinacional passou um período de férias inteiro só treinando dois bumbos, oito horas por dia, comendo/respirando fazendo praticamente tudo (opa!rsrs) com metrônomo, andando na rua acompanhando os cliques. Na hora de comer também, cada garfada deveria estar no tempo do click (Mas essa parte do garfo durou pouco tempo, pois ele achou loucura demais!). Contou também sobre como instalou no sistema da empresa alguns métodos inovadores que serviam pra motivar os empregados (dia da idéia) e como cresceu e se destacou rápido (chegando a cortar o cabelo a pedido do chefe sem nem sentir remorso), pois ele realmente estava motivado a crescer e faria qualquer coisa possível. Contou que sempre comia mais rápido na hora do almoço da empresa só pra treinar num pad de borracha que ele conseguiu instalar lá depois de muito esforço. Falou de como conciliava o emprego e as atividades do Hangar, sempre aproveitando as viagens de negócio levando Cd´s da banda junto pra tentar bons contatos e agendar shows. Um filme disso tudo passou na cabeça dele quando ele se viu num estúdio ensaiando com o Paul Di'anno, como ele batalhou pra chegar ali usando a mesma eficiencia e dedicação que aplicava na empresa! E percebendo que todo esforço gerou um grande resultado! Perguntado se gravaria um outro DVD, ele respondeu que se for gravar seria um mais instrucional e menos perfomático com as músicas do Freakeys e do Hangar.
Contou uma história engraçada de um cara que uma vez foi num Workshop dele e disse que tinha um pedal igual ao dele, mas que teimava que o do Aquiles tinha alguma coisa a mais que deixasse mais fácil tocar as coisas rápidas. Aquiles pra provar que o pedal dele é igual a qualquer outro do mesmo modelo, tocou uma música com o pedal do cara só pra ele acreditar que o pedal era realmente igual; aí o cara acreditou. Pra finalizar, tocou com playback, Golden Bullet e a música que o Aquiles disse ser um dos melhores arranjos de batera que já fez: Gallamawhat?! do Freakeys, demonstrando tudo que ele disse nos exercícios aplicados com esses dois sons. Acho que devido ao horário e também pelo cansaço de estar tocando desde cedo (o Almah ensaiou antes do Masterclass) Aquiles encerrou dizendo que não importa a duração, será sempre pouco tempo pra falar do que realmente todos ali gostam: BATERIA!!
Depois tiramos fotos, conversamos sobre o show do Freakeys em Campinas que a gente tinha assistido alguns dias antes e pra variar, ele ficou lá até o último da fila, com a simpatia de sempre dando risada e brincando com todos...Escrevendo aqui, me lembrei de uma conversa com o Aquiles num café contando de um show do Angra com o Iron Maiden que ele e o Mike Portnoy do Dream Theater assistiram do palco e deslumbrados lembravam juntos de todos aqueles momentos na adolescência que eles passavam admirando e ouvindo aquela banda e agora estão eles ali no mesmo palco, cada um com a sua banda, sendo adolescentes de novo... Pois é, onde há uma vontade há um caminho, pois faça o seu!


















